BIBLIOTECAS DAS ESCOLAS DE MONTE GORDO/SANTO ANTÓNIO

29
Jan 10

 

Adeus

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor,


já não se passa absolutamente nada.


E no entanto, antes das palavras gastas,


tenho a certeza


de que todas as coisas estremeciam


só de murmurar o teu nome


no silêncio do meu coração.



Não temos já nada para dar.


Dentro de ti


não há nada que me peça água.


O passado é inútil como um trapo.


E já te disse: as palavras estão gastas.



Adeus.

publicado por bibliocentro às 10:37

28
Jan 10


 

 

Como já tínhamos assinalado, comemoram-se este ano os cem anos da República (1910-2010). As comemorações do Centenário da República iniciam-se já no próximo dia 31 de Janeiro (Domingo), na cidade do Porto. A Revolução Republicana , vencedora em 5 de Outubro de 1910, não foi uma revolução de eclosão espontânea. A antecedê-la, um turbilhão de pequenos e grandes acontecimentos foram minando a já decadente Monarquia. A primeira revolta republicana acontece no Porto, no dia 31 de Janeiro de 1891. Aproveitando o descontentamento que varria o país após a humilhante capitulação  do rei D. Carlos perante os ingleses, no desfecho da crise do Mapa-cor-de-Rosa/Ultimato (1890), (não nos esqueçamos que no hino republicano onde se canta hoje "contra os canhões marchar, marchar"; se cantava nesta altura "contra os bretões marchar, marchar") os republicanos do Porto revoltam-se e proclamam a República. Em frente à antiga Câmara Municipal do Porto aclamam um "governo provisório" e fazem flutuar nos ares da Invicta uma bandeira vermelho e verde.

A "1º República" foi efémera e acabou de forma trágica: uma forte carga de artilharia da Guarda Municipal, fiel à monarquia, desbaratou os revoltosos provocando mortos e feridos vários. Os principais cabecilhas da revolta foram julgados e presos.

Esta revolta republicana do Porto não vingou mas deixou as sementes que germinariam uma década depois e conduziriam ao fim da velha Monarquia Portuguesa.


publicado por bibliocentro às 11:15
sinto-me:
música: A Portuguesa (hino nacional)

21
Jan 10

 

Na próxima sexta-feira dia 29 de Janeiro, pelas 21h30, decorrerá a apresentação do livro O sul dos meus sonhos de Teresa Rita Lopes, com a presença da autora e apresentação de José Carlos Barros.

 

Teresa Rita Lopes é um dos maiores especialistas contemporâneos 
em Fernando Pessoa

tem centrado o seu trabalho académico na obra deste poeta 
e dedica-se especialmente à divulgação 
da parte inédita da sua obra.


Tem uma forte relação com o Algarve, em especial com Cacela, onde tem casa e viveu parte da infância.
 
Biografia
 

Nasceu em Faro, em 1937. Viveu 13 anos em Paris onde foi professora na Sorbonne e defendeu a tese de doutoramento "Fernando Pessoa et le drame symboliste – héritage et création". É professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa. 

Teresa Rita Lopes é um dos maiores especialistas contemporâneos em Fernando Pessoa, tendo centrado o seu trabalho académico na obra deste poeta e dedicando-se especialmente à divulgação da parte inédita da sua obra. 

Dirige um grupo de investigadores que produziu várias obras, nomeadamente um guia de Lisboa, escrito por Pessoa, com traduções em várias línguas (espanhol, francês, italiano e duas em alemão). 

Das obras produzidas individualmente em português destaca-se Pessoa por conhecer (2 volumes, mais de 400 inéditos) e uma edição crítica: Álvaro de Campos – Livro de Versos (mais de 80 poemas inéditos).

Organizou várias exposições sobre Fernando Pessoa, em Espanha (inauguração em Madrid, itinerante por toda a Espanha), no Brasil (inaugurada em S. Paulo, depois itinerante) e em França (Paris, Centre Pompidou – Beaubourg). 

Tem-se dedicado à obra de Miguel Torga, sobre a qual tem vários ensaios. Tem além disso colaborado regularmente em várias publicações literárias portuguesas e estrangeiras, quer no domínio do ensaio, quer da poesia.

Dedica-se à poesia, tendo três livros publicados e, regularmente, a teatro. 

Tem peças publicadas e representadas em Portugal e no estrangeiro: França, Bélgica, Itália, Roménia, Alemanha. A sua peça Se Mentes (Wenn du lügst – Samen) foi escolhida para representar Portugal no Festival de Autores de Teatro na Bonner Biennale 94 – e posteriormente representada em Munique e em Roma.

 


08
Jan 10

COMPOSITOR DO MÊS

 O  mês de Janeiro será o mês de Mozart na nossa Biblioteca. Durante estes dias poderemos aqui ver a exposição sobre um dos maiores génios que a humanidade conheceu,  e ouvir, tranquilamente, a sua música.

 

Compositor austríaco, Wolfgang Amadeus Mozart, filho de Leopold Mozart, nasceu em Salzburgo, a 27 de Janeiro de 1756. Desde cedo, o jovem Amadeus revelou ter excepcionais capacidades musicais: compôs, pela primeira vez, aos cinco anos de idade e, um ano mais tarde, foi convidado a tocar perante a imperatriz da Aústria. O pai, apercebendo-se do talento prodigioso do filho e da possibilidade de com ele trazer proventos até então inacessíveis à família, decidiu partir numa digressão que os levou a Paris e a Londres. A genialidade precoce de Mozart espantou audiências, sendo-lhe concedido o privilégio de tocar para as famílias reais de França e Inglaterra. Foi também nesta fase que começaram a ser publicadas as suas obras e que escreveu as primeiras sinfonias. A família Mozart só regressou Salzburgo em 1766. Contudo, as viagens ao resto da Europa aconteciam com alguma regularidade.
Tinha um salário razoável e o compromisso de escrever música para os bailes da corte austríaca. No entanto, depressa esbanjou a prosperidade financeira, com uma vida desregrada de desperdício. Casou em 1782 com Constanze Weber, a irmã mais nova de uma outra paixão antiga.

Morreu a 5 de Dezembro de 1791, aos 35 anos, em Viena.
 

Principais Obras:
Sinfonias
Sinfonia n°35, Haffner - k.385 (1782)
Sinfonia n° 36, Linz - k.425 (1783)

Sinfonia n° 39 - k.543 (1788)
Sinfonia n°40 - k.550 (1788)
Sinfonia n° 41, Júpiter - k.551 (1788)


Óperas
O Rapto do Serralho - k.384 (1782)
As Bodas de Fígaro - k.492 (1786)
Don Giovanni - k.527 (1787)
Cosi fan Tutte - k. 588 (1790)
A Flauta Mágica - k.620 (1791)
Concertos
Violino - k.216 (1775)
Piano - k.271 (1777)
Flauta e Harpa - k. 299/297c (1778)
Clarinete - k.622 (1791)

Oratórios
La Betulia Liberata - k.118/74c (1771)
Davidde Penitente - k.469 (1785)
Serenatas
Serenata Haffner - k.250 (1776)
Serenata conhecida como Eine Kleine Nachtmusik - k. 525 (1787)
Música de câmara
Seis quartetos para cordas dedicados a Haydn - k.387 (1782)
Quinteto de Cordas - k.515 (1787)
Adágio e Fuga - k.546 (1788)
Música instrumental
Sonata para violino - k.454 (1784)
Sonata para piano - k.526 (1787)
Música Sacra
Missa da Coroação - k.317 (1779)
Grande Missa em Dó Menor - k.427 (1783)
Réquiem - k.626 (inacabada -1791)

 

 O menino prodígio

publicado por bibliocentro às 10:31
sinto-me:
música: Mozart - Symphony N41 K551 -Karl Bohm

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António Aleixo
E vós que do vosso império prometeis um mundo novo calai-vos que pode o povo q`rer um mundo novo a sério.
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