BIBLIOTECAS DAS ESCOLAS DE MONTE GORDO/SANTO ANTÓNIO

23
Abr 10

 

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram escritores como Cervantes e Shakespeare.

A ideia da comemoração do DIA MUNDIAL DO LIVRO teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, é oferecida uma rosa a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Do monge copista...

... ao leitor electrónico mais famoso, o Kindle. Será ainda um livro? O suporte será a característica principal do livro? Pedra, cerâmica, papiro, pele, papel, mundo cibernético importará? O livro será uma invenção definitiva como a roda ou a colher?

publicado por bibliocentro às 10:51
sinto-me:

22
Abr 09

 

A UNESCO escolheu esta data para celebrar o dia mundial do livro e dos direitos de autor  como forma de, também, assinalar a morte física de dois grandes monstros das palavras: Miguel de Cervantes Saavedra e William Shakspeare. Digo morte física porque estes autores universais , como o cantou Camões, " se foram da morte libertando" através de "obras valerosas". Estão hoje mais vivos do que nunca e as suas palavras chegam mais longe e tocam mais fundo do que nunca.

 

       Miguel de Cervantes                                        William Shakespeare

 

Encerramos a nossa singela homenagem aos grandes escritores e aos livros com dois belíssimos poemas do grande poeta algarvio, António Ramos Rosa.

 

 

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

 

Poema dum Funcionário Cansado

 

 

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

 

publicado por bibliocentro às 11:08
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